esses carinhos miúdos
fascinam, pluralizam
alimentam como fruto
sofisticados apetites.
Anna Dulce Pelajo
esses carinhos miúdos
fascinam, pluralizam
alimentam como fruto
sofisticados apetites.
Anna Dulce Pelajo

verdes sempre verdes
em belezas mestras
prometendo o saber
e suas belas artes.
Anna Dulce Pelajo

dia e noite
noite e dia
os lábios falam:
sem risos
sem rimas
sem iguarias
eles sangrariam e morreriam.
Anna Dulce Pelajo

O seu e o meu amor amam os mesmos nossos:
de jeitinhos diferentes, não é mesmo?!
Anna Dulce Pelajo
quem é ele, o tempo?
ideia sofisticadíssima
ao mesmo tempo rotineira
que ninguém sabe
ninguém apalpa
ninguém vê
mas que passa galante
companheiro e sempre?!
Anna Dulce Pelajo

e se tudo isso acontecer
e se tudo ainda assim não acontecer?
o que faremos com as sobras desses momentos
de indagação e incertezas?!
Anna Dulce Pelajo

o pontilhado mundo das estrelas
em sua tonalidade diamante
faz tatuar madrugadas perfeitas
em motivos de amor verdadeiro.
Anna Dulce Pelajo
meu beija-flor dengoso anda sumido
nem imagina a falta que faz:
ainda assim, vivo lhe enviando minhas mais ardentes mensagens
certa de que o carinho da brisa há de inspirá-lo.
Anna Dulce Pelajo
beija, beija, meu beija-flor dengoso
beija as flores com seu carinho guloso
viagem encantada a sua, meu querido
ocupado sempre em embelezar a vida.
Anna Dulce Pelajo
Saudade
por que te chamo para dentro de mim?
Saudade
por que me angustio com tuas carícias?
Saudade
por que de inquietude te anseio e te recuso?
é porque te creio:
és vida, retorno, instinto, fantasia
fome, desânimo, paixão, alegria
redemoinho de vida, de verdades,
és todo o meu passado.
Anna Dulce Pelajo

a avezinha trouxe um recado
em seu bico pequenino
dizia tão lindo assim:
ao invés de alpiste
me alimento de infinito.
Anna Dulce Pelajo
Galopa cavalo branco
e dá-me alento em teu galope
Galopa sem as fraquezas do cansaço
preciso chegar à próxima parada
Faz muito frio em meu peito agora
frio de incompreensão e morte
Não pares para descansar, não
Preciso ultrapassar a mata fechada
onde o perigo ruge por toda parte
Galopa e em teu galope
protege o desvio de minha sorte
que me endurece a carne, os olhos, as artérias
Preciso como nunca confiar em teu galope.
Anna Dulce Pelajo
falar com você
deste ambiente tão particular
tão belo, tão meu, tão proprietário
de meu felizardo coração!!
Anna Dulce Pelajo
Foto tirada do jardim de casa.
alma delicada
sábia, descortinando o bosque
sem modelos, sem cobiças
apenas ao verde alerta
a mente clara, compreensiva
dançando emancipada no tempo
sem queixas, sem certezas
libera cúmplice o pensamento
assim caladas
mãos dadas ficaram
provocando ternura
merecendo liberdade.
Anna Dulce Pelajo
os poemascada um tem seu destinoalguns possuem a vontade fortede olhar bem lá no fundo de nossos olhos.
Anna Dulce Pelajo
Todos os anos
aguardo o outono
trazendo sublimes encontros
motivação dos meus sonhos.
Estação a lembrar o Noturno de Chopin.
O outono é tão perfeito
tão iluminado
tão vibrante e amante
que vivo a sentir sua falta
e quando ele chega
vivo a pedir que não parta tão cedo.
Anna Dulce Pelajo
a noite chegou
fui ao jardim olhar o céu
uma lua dançante e uma estrelinha perfeita se olhavam sem cessar.
Suspirei deslumbrada!!
Anna Dulce Pelajo

somos feitos
e refeitos
todos os dias
de grandes vontades
variadas presenças
ausências inevitáveis.
Anna Dulce Pelajo

o soberano manto das garças
sensibiliza o perfil das águas
branco e espelho se confundem
dançando asas multiplicadas
passos impunemente despojados
um só silêncio.
Anna Dulce Pelajo

alegria, alegria
como se fora uma prece
que se veste
de significados multicoloridos.
Anna Dulce Pelajo