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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

VELHINHOS AMANTES




vi um casal de velhinhos
conversando a não mais acabar:
ela falava sem parar
ele escutava tudinho
depois
ele falava sem parar
ela escutava tudinho
aí fiquei eu a admirar:
que diálogo interessante e vivo!
quanta intenção incrível e satisfeita!
ninguém “celulava”, os dois se amavam.


Anna Dulce Pelajo

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

DANÇA PREDILETA




roça teu corpo
na paixão sem veste
do meu corpo intensamente perto
coreografia predileta
de pensamentos, pele, reflexos.


Anna Dulce Pelajo

Imagem: Casal dançando IV - Por: Alijan Alijanpour

SUTILEZA




quem molda o tempo
enquanto ele nem sente
mas o espelho pressente
o abandono que ensaia interpretar?

não fossem:
- o rosto, irresistível e meigo
- a pele, intérprete e mulher
- a alma, eterna aprendiz.

talvez não se mirasse nunca mais.


Anna Dulce Pelajo

VERBO AMAR




Eu amo
Tu amas
Ele ama
Nós amamos
Vós amais
Eles amam

Precisei conjugar hoje por escrito o verbo
                            AMAR
para melhor entender seu significado universal.


Anna Dulce Pelajo

MIGUEL




Miguel, eu te sinto, te percebo, te mostro em todas as minhas
muitas manias buscando apaziguar a vida.

Te encontro na sofisticação plena do belo, na temperatura máxima
da alegria, no compasso do desabafo que não consegue calar por completo.

Mamma amada.


Anna Dulce Pelajo

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

A INTUIÇÃO E EU




sou eu e ela intuição
ela sou eu ou somos muitas
seria ela vivências passadas
sou eu o presente apaixonado?


Anna Dulce Pelajo

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

RENASCIMENTO




gosto de sentir a chuva
desabar a muralha das nuvens

senti-la então pronta desnudar-se.


Anna Dulce Pelajo

IMPOSSIBILIDADES




nem sempre
as promessas entendem
o coração de seu enviado
e se atropelam enganando
sem querer bem intencionadas.


Anna Dulce Pelajo

A SEDUÇÃO




A sedução nos envolve:

na maciez da conquista
na lucidez do chamego
na embriaguez do sonho

A sedução nos protege:

da insensatez do dilúvio
da morbidez dos queixumes
da viuvez dos sentidos.


Anna Dulce Pelajo