em pés descalços
olhares enfeitiçados, sussurros amantes
lá se encontram a vontade e o ardor
pelo amor da convivência
com milhares de seres imperdíveis
em nossos encantados jardins.
Anna Dulce Pelajo
Foto tirada do jardim de casa.
em pés descalços
olhares enfeitiçados, sussurros amantes
lá se encontram a vontade e o ardor
pelo amor da convivência
com milhares de seres imperdíveis
em nossos encantados jardins.
Anna Dulce Pelajo
Foto tirada do jardim de casa.
Anna Dulce Pelajo
lua cheia
presença que é referência
presença que é luz
presença que principia lá longe aqui pertinho
convida a brincar de namorar a vida
a brincar de namorar o amor
com o seu brilho imenso
seu olhar sedutor
intimidade que é de todos
intimidade que é só minha
intimidade que fascina
intimidade que não se consegue traduzir:
bem sei!!
Anna Dulce Pelajo
Foto tirada do jardim de casa.
em cores e sabores de chocolate amargo
chocolate ao leite
intenções de verdes envelhecidos
laranjas avermelhados
amarelos mostarda
eis os desejos do outono
chegando para a natureza da estação
em cores e amores intensos
com o seu acasalamento em múltiplos tons.
Anna Dulce Pelajo
saber o que queremos da vida
facilita nossa comunicação
na intenção mais corajosa
de fazer crescer o melhor em nós
provocar o melhor que ela tem a oferecer.
Anna Dulce Pelajo

escutar os cantos e as lágrimas
que moram aqui dentro
refletir esta oportunidade fascinante
sentir o barulhinho de riacho, a árvore curiosa
a rede macia
o mundo das estrelas e dos azuis serenos
essa delicadíssima tentativa de aprendizado
a conversar comigo uma conversa que nunca se acaba.
Anna Dulce Pelajo
de todas as maneiras
o mar me convida
me inspira
me faz sentir, mergulhar
me calar
me faz avaliar seus segredos, seus devaneios
me faz sempre mais acreditar
sou-lhe grata por todas as maneiras de mais amar!!
Anna Dulce Pelajo
saudade daquele velho
sábio velho do mundo
que em tudo me fez acreditar
e já no primeiro dia
meu coração e minha alma visitou
saudade daquele velho
velho amigo querido
que vale toda a saudade
empilhada em meu peito amigo
repleto de saudades.
Anna Dulce Pelajo
invoca-me o chá às profundezas imaginárias
atrai-me ao seu reino de tapetes requintados
já no primeiro beijo abraça meu espírito ávido
de paladares mestres, desconhecidos e mágicos
gole por gole vou sorvendo o encanto cor de ébano
num ritual intenso e delicado
permitindo-lhe revelar o dom de seu fascínio
na intimidade do prazer somado.
Anna Dulce Pelajo
poeminha meu
meu poeminha pequenino
bem do tamanho de uma flor em botão
vontade tanta vontade a minha
de conquistá-lo em versos
acreditá-lo verdade.
Anna Dulce Pelajo
Imagem: Vyacheslav Mischenko
em permanente dependência
caminham estes pés
obedientes e apaixonados
a me levar a todos os lugares
às vezes a lugar algum
obedientes
são as ambiguidades da mente
que eles perseguem.
Anna Dulce Pelajo
e uma saudade gozou...
aquele homem
que já não caminharia criança.
aquela mulher
que já não molharia a fronha de ontem.
Anna Dulce Pelajo
as flores
eternamente
deusas acordadas
transbordam em seu destino
belezas e aromas
mensagens e favores
do ser e querer delicados.
Anna Dulce Pelajo
conversar com a vida
olhar bem nos olhos dela
viver fundo por um mundo
diverso, interessante, lindo.
Anna Dulce Pelajo
eis que meu jardim entendeu
tudo o que quisemos juntos
criamos o amor que acreditamos em nós
amamos no plural e nos recriamos.
meu jardim é simplesmente lindo:
quer dizer motivo
quer dizer paraíso.
Anna Dulce Pelajo
Foto tirada do jardim de casa.
jardim, jardim…
jardim do tempo, do firmamento
jardim de hipóteses
jardim de trocas
jardim que se importa!!
Anna Dulce Pelajo
Foto tirada do jardim de casa.
a renúncia de tal escolha
varrendo saudável desafio
foi se prostrar em castigo
diante do acaso proibido
e foi tanto o seu delírio
e tamanho foi seu equilíbrio
que se torturou sem piedade
diante de tão insana crueldade.
Anna Dulce Pelajo
saber o que queremos da vida
facilita nossa comunicação
na intenção mais corajosa
de fazer crescer o melhor em nós
provocar o melhor que ela tem a oferecer.
Anna Dulce Pelajo
pálidas incertezas
enrugadas como folhas dobradas
sem jeito nem talento
arrancadas, enlutadas.
Anna Dulce Pelajo
desafiadoramente inquieta e alheia
a vida escorrega altiva e inteira
povoada de intensos mistérios:
a queremos sim
tanto assim
mesmo assim
com a loucura do vento
as alegorias do pensamento
o fantasma do tempo.
Anna Dulce Pelajo
de graça, amigo
dão-me sustento tuas palavras
sutis, permanentes e sábias
roubadas de longínquos contos de fadas
assim fora do banal e de momentos adiados.
Ao queridíssimo De Maio
de sempre.
Anna Dulce Pelajo
o amor precisa viver
o amor precisa de Nós Dois
o amor precisa de encantamentos
bravuras, cuidados, cumplicidade
o amor precisa ser amado.
ele também quer namoro:
olhares, luares, diálogos
abraços, desejos, muitos beijos.
Anna Dulce Pelajo
surpreendente o amor
que mora comigo
mora contigo
é companheiro, infalível
amigo, jamais desanima
acredita na inspiração
no beijo, no abraço que inventamos
nas palavras que dizemos
no olhar
no murmúrio das estrelas
na intimidade com a lua
nos versos que ainda não conhecemos.
Anna Dulce Pelajo
preciso de seu olhar
preciso de seu peito
preciso de seu talento
nem preciso dizer pra quê:
só preciso sentir
e fazer você sentir também.
Anna Dulce Pelajo
a joaninha é vermelhinha, vermelhinha
redondinha, pequenininha
usa vestidinho de bolinhas pretas
para distrair outros bichinhos
enquanto faz faxina e alegria pelo jardim
adora chamar a atenção das crianças,
a minha também.
aprendi que é símbolo de boa sorte e fartura em muitas culturas.
Anna Dulce Pelajo
enroscadinhas uma a uma
branquinhas, muito felizes
mensageiras de carícias
em um mundo mais distante
me olhavam abraçadinhas
atraindo minha atenção suavemente.
suavemente, enquanto me sorriam independentes.
Anna Dulce Pelajo
e sobretudo o silêncio acordou
despertando manso e cálido
por entre alguns fios de cabelo prateado
talvez um tanto inquieto
pelo contato profundo
um pouco, quem sabe
forçado pela razão do próprio tempo.
Anna Dulce Pelajo
Imagem: Arcangelo Ianelli - "Leitura" - 1945 - desenho a carvão
Paz para quem nasce simples e sabe prosperar.
Paz para quem nasce majestoso e sabe sentir.
Anna Dulce Pelajo
nós dois nos bendizíamos
na tarde de chuvinha fina lá fora
a chuva cessou
a escutar encabulada
nossos galanteios.
Anna Dulce Pelajo
alguém me perguntou
quem era dono de quem
se o artista de sua obra
ou a obra de seu artista.
Anna Dulce Pelajo
Imagem: "Abaporu" - detalhe - Tarsila do Amaral
o lago prostrado em reverência
aos pés das montanhas gigantescas
revela a melodia de sua entrega
possível encantamento entre céu e terra.
Anna Dulce Pelajo
não quero escrever poemas
para passar o tempo
não quero meus poemas lidos
por simples passatempo
prefiro
que meus versos tenham eco
como música distante.
Anna Dulce Pelajo
timidamente senti
a lua implorar às estrelas que chorassem
para vê-las cantar de entusiasmo
ao descobri-las cintilando.
Anna Dulce Pelajo
Foto tirada do jardim de casa.
pedi ao meu jardim beleza
ofereci-me a ele em paciência
trocamos assim confidências:
em sentimentos
em cores verdes e centenas
em eternidade.
Anna Dulce Pelajo
Foto tirada do jardim de casa.
muito grata por sentir o que sinto
por dizer o que sinto
por trocar com você o que sentimos.
Anna Dulce Pelajo
primavera, verão
outono, inverno
o cafezinho não prega os olhos:
desprendido, nobre, amigo
continuamente buscando encontrar
bate-papos, olhares, segredos, aconchegos.
Anna Dulce Pelajo
na existência minha
as labaredas ardem consequentes
sob o signo do fogo:
é o centauro me intuindo
ora a galope, ora devagarinho.
Anna Dulce Pelajo
a amendoeira é tímida
quase o ano inteiro
quando a meiguice
anuncia o inverno
ela se enfeitiça e desinibe
se pinta toda faceira
querendo ser a mais linda.
Anna Dulce Pelajo